FELICIDADE!

No último dia do ano li um texto que me sensibilizou, assinado por Frei Betto. Divido com vocês a sensibilidade e consciência deste autor e a síntese do que desejo a todos no ano que se segue:

Felicidade!

"O que é felicidade? Aristóteles assinalou: é o bem maior a que todos almejamos. E alertou meu confrade Tomás de Aquino: mesmo ao praticarmos o mal. De Hitler a Madre Teresa de Calcutá, todos buscam ,em tudo que fazem, a própria felicidade.

A diferença reside na equação egoismo/altruismo. Hitler pensava em suas hediondas ambições de poder. Madre Teresa, na felicidade daqueles que Frantz Fanon denominou "condenados da terra".

A felicidade, o bem mais ambicioso, não figura nas ofertas do mercado. Não se pode comprá-la, há que conquistá-la. A publicidade empenha-se em nos convencer de que ela resulta da soma dos prazeres. Para Roland Barthes, o prazer é a grande aventura do desejo". Desejar feliz ano novo é esperar que o outro seja feliz. E desejar que também faça os outros felizes. A vida em plenitude não se encontra nos bens finitos ofertados pelo mercado, acha–se nos bens infinitos. A arte da verdadeira felicidade consiste em canalizar o desejo para dentro de si, a partir da subjetividade impregnada de valores, imprimir sentido a existência. Assim, consegue-se ser feliz mesmo quando há sofrimento. Trata-se de uma aventura espiritual. Ser capaz de garimpar as várias camadas que encobrem o nosso ego. Se lograrmos megulhar mais fundo, além da razão egótica e dos sentimentos possessivos, então nos aproximamos da fonte da felicidade, escondida atrás do ego. Ao percorrer as veredas abissais que nos conduzem a ela, os momentos de alegria se consubstanciam em estado de espírito. Como no amor. Feliz ano novo é, portanto, um voto de emulação espiritual."

E que a felicidade os acompanhe!